Andando no Espírito – Cap. 5 - (A.B. Simpson)
Capítulo 5
EMBLEMAS E ASPECTOS DO ESPÍRITO SANTO
“Os sete Espíritos que estão diante do Seu Trono.” (Apocalipse 1:4)
Essa expressão denota a plenitude do Espírito Santo. O número sete expressa a completude divina, e a bênção dos sete Espíritos é equivalente à declaração de Paulo no primeiro capítulo de Efésios: "Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo Jesus." Em consonância com essa expressão sétupla da plenitude do Espírito, está o fato de que as Escrituras nos apresentam sete emblemas especiais do Espírito Santo, cada um adequado para enfatizar alguma faceta específica de Seu caráter e obra. Como o Espírito Santo não possui forma pessoal e encarnada como Cristo, Ele se revestiu com as vestes do símbolo, tornando-se assim mais real e vívido para nós por meio das figuras da linguagem humana e da simbologia terrena.
I. A Pomba como Símbolo do Espírito Santo
1. O símbolo mais antigo do Espírito Santo é a pomba. Essa figura não é introduzida explicitamente no Antigo Testamento, mas a alusão nos versículos iniciais de Gênesis é suficientemente clara para ser reconhecida. "O Espírito de Deus pairava sobre o abismo"; literalmente, isso se traduz como "O Espírito de Deus pairava ou chocava sobre a face do abismo". É a imagem da mãe-pomba estendendo suas asas sobre os elementos tempestuosos e incubando, por assim dizer, seus filhotes durante a noite escura do caos. É a mesma figura emblemática que encontramos novamente como símbolo de paz e mansidão, e arauto da aurora do novo mundo na noite escura e tempestuosa do dilúvio. É a mesma pessoa bendita que, às margens do Jordão, desceu em forma visível como uma pomba e repousou sobre o Senhor Jesus, o arauto da paz e do amor para um mundo pecador e o símbolo do ministério do Espírito de Cristo. Como a pomba, o Espírito Santo é o Espírito da paz, o Doador do repouso.
Esta é também uma figura da maternidade, que está constantemente associada à imagem do bem-aventurado Paráclito. Na Divina Trindade encontra-se a essência de todas as relações, e aquilo que se expressa na maternidade humana sempre esteve presente no seio de Deus.
Disso o Espírito Santo é a expressão pessoal. Desse seio material nasce nossa nova vida; por esse Espírito manso, nossa infância espiritual é nutrida, consolada, educada, desenvolvida e amadurecida. "Como uma mãe consola seu filho", assim o Consolador ama e alegra nossos corações aflitos. Como a pomba que choca seus ovos, assim este Bem-aventurado nos esconde sob as asas de Deus e nos cobre com as penas da divina compaixão e ternura. Essa Pessoa abençoada, tão doce e suave é o Seu toque. É essa voz suave que ouvimos, isso acalma cada dúvida e enxuga cada lágrima. E nos fala do céu.
II. O Ar é o Próximo Símbolo do Espírito
Isso também aparece no capítulo inicial de Gênesis: "O Senhor Deus soprou nas narinas do homem o fôlego da vida, e o homem se tornou alma vivente". E sabemos que esse era o Espírito Santo, pois, como nos é dito, "A inspiração do Todo-Poderoso dá vida". "Tu envias o Teu Espírito, e eles são criados". A mesma figura é usada pelo profeta Ezequiel ao descrever a ressurreição dos ossos secos. Foi o Espírito que veio dos quatro ventos e soprou sobre os mortos, e eles viveram. Nosso Senhor usou essa figura em duas conexões muito marcantes. A primeira se refere à regeneração da alma: "O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito." É como o vento silencioso, conhecido não pela percepção visível, mas pelos seus efeitos. Novamente, Jesus usa isso em conexão com a transmissão pessoal do Espírito Santo aos seus próprios discípulos. "Ele soprou sobre eles e disse: Recebei o Espírito Santo." Em consonância com essa figura, a palavra hebraica e grega é a mesma usada para vento ou sopro. O Espírito Santo é o sopro de Deus. Esse emblema expressa, ao mesmo tempo, a mansidão e a força do Espírito Santo. Sua vinda pode ser tão suave quanto a brisa da tarde ou tão poderosa quanto o poder da tempestade. Quando Ele desceu no Pentecostes, houve um som como o de um vento impetuoso; quando Ele veio depois aos discípulos reunidos, o lugar onde estavam foi abalado; quando Ele atendeu à oração de Paulo e Silas, a prisão tremeu até seus alicerces, e as trancas e os ferrolhos se soltaram.
Mas acima de todas as manifestações do Seu tremendo poder, a mais bendita é o Seu sopro vivificante. Esta figura expressa especialmente a ideia de vida, o Espírito que sopra a nova vida na conversão, que transmite a própria vida de Cristo à alma e vivifica o corpo mortal para o Seu poder de ressurreição.
III. A Água do Espírito Santo
Esse emblema permeia toda a tipologia do Antigo Testamento e a linguagem figurativa do Novo. Este era o significado da correnteza que brotava da rocha fendida de Horebe e das diversas lavagens do sistema levítico. Foi disso que Jesus falou quando disse: "Quem crê em mim, do seu interior fluirão rios de água viva". Foi disso que o profeta disse: "Derramarei água sobre o sedento e torrentes sobre a terra seca; brotarão como a erva, como salgueiros junto aos ribeiros". Esta é a chuva que cai sobre a relva recém-cortada e o orvalho que revitaliza a terra. É a plenitude do Espírito Santo em suas influências purificadoras, refrescantes e consoladoras. Este é Ele que vem a nós na lavagem da regeneração e na renovação do Espírito Santo que Ele derrama abundantemente sobre nós. Este é Ele que envia os tempos de refrigério da presença do Senhor. Este é Ele que nos batiza no oceano da luz e do amor divinos e nos preenche com toda a plenitude de Deus.
IV. O Óleo como Símbolo do Espírito Santo
O óleo é outra figura do Antigo Testamento que representa o Espírito Santo, presente em todas as unções do sacerdócio e do tabernáculo, e reaparecendo no próprio nome de Cristo, que significa o Ungido. Foi a respeito disso que Jesus disse: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque Ele me ungiu para pregar o evangelho aos pobres; enviou-me a curar os quebrantados de coração, a proclamar libertação aos cativos e a abertura dos olhos aos cegos, e a proclamar o ano aceitável do Senhor." Esta figura descreve o Espírito Santo como a figura da luz, da consagração e da cura.
No antigo ritual, a cabeça, as mãos e os pés do leproso purificado e do sacerdote consagrado eram tocados com óleo como símbolo de sua dedicação a Deus. Assim, Arão foi separado, assim, Davi foi consagrado, e assim somos dedicados a Cristo e divinamente qualificados para o serviço pela unção do Espírito Santo.
Mas o azeite também era uma figura de luz na visão de Zacarias. O templo é iluminado por sete lâmpadas alimentadas por duas oliveiras vivas, ensinando-nos que o Espírito Santo é a fonte constante e viva da vida e da luz do Seu povo. É nesse contexto que João diz: "Mas vós tendes a Unção do Santo, e sabeis todas as coisas. A Unção que recebestes Dele permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a mesma Unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, e assim como ela vos ensinou, assim permanecereis Nele."
Assim, o óleo também representa o Seu toque de cura. O óleo e o vinho são usados na parábola do bom samaritano como figuras de restauração física. Assim, os discípulos ungiram os enfermos e incumbiram os anciãos de continuarem o mesmo rito, conforme o mandamento de Tiago 5:14, como sinal do toque do Espírito Santo sobre o corpo sofredor, comunicando a cada um o amor do Senhor Jesus Cristo.
O óleo também pode ser usado como símbolo de alegria. O Salmista fala do óleo que faz nosso rosto brilhar e descreve Jesus Cristo como Ungido com o Óleo da alegria, mais do que seus companheiros. Isaías fala do óleo da alegria para o luto e da veste de louvor para o espírito de tristeza. O Espírito Santo nos unge com o espírito de alegria e irradia o rosto com a glória refletida do Deus que habita em nós.
Recebemos a unção divina como nossa luz e cura, nossa alegria e consagração? O óleo que caiu sobre a cabeça de Aarão desceu até a orla de suas vestes; e do nosso Grande Sumo Sacerdote, a unção divina desce até o Seu membro mais humilde. Consagremos nossas mãos e pés, nossa cabeça e coração para sermos tocados e consagrados por este santo crisma, e sigamos em frente como ungidos do Senhor.
V. O Incêndio do Espírito Santo
A mais poderosa das forças humanas é a última figura que se insinuou representar o Espírito Santo até o momento de Sua descida no Pentecostes. Ela apareceu desde o princípio na Shekinah que pairava no portão do Éden; na coluna de fogo que guiava o acampamento de Israel; na chama descendente que consumia os sacrifícios no tabernáculo; no fulgor da sarça ardente em Horebe; nas brasas da visão de Isaías; nos símbolos luminosos da iconografia de Ezequiel; na linguagem figurativa de João Batista profetizando sobre Aquele que batizaria com o Espírito Santo e com fogo; e, por fim, foi revelada em todo o seu significado manifesto nas línguas repartidas do Pentecostes e no batismo de fogo dos discípulos reunidos.
É a figura da destruição, que nos lembra do Espírito que consome não só o pecado, mas também a vida natural da alma, deixando a alma como um receptáculo vazio para o preenchimento divino. Representa também, com mais ênfase do que qualquer outra figura, a ideia de purificação; penetrando cada fibra do nosso ser, purificando com poder intrínseco a alma mais íntima e eliminando toda partícula de impureza e mal.
Esta é também a figura do poder, que nos lembra das forças mais poderosas da mecânica humana, a eletricidade e o vapor, que são formas de fogo, e o grande centro dinâmico do nosso sistema, e o sol ardente que sustenta os planetas em suas órbitas pelo seu poder; assim, o Espírito Santo é a fonte do poder onipotente; impulsionando toda a engrenagem do cristianismo, movendo todas as forças da alma e nos dotando de todo o poder que podemos conhecer para o serviço.
O fogo também é a imagem do amor; é a força que derrete, dissolve barreiras, funde substâncias duras e une as partes em uma só. Assim, o Espírito Santo é o Espírito do amor, que derrete o coração de pedra, dissolve os preconceitos dos homens e une o povo de Deus como um só coração. É a Ele que cabe dar o brilho do entusiasmo e o fogo do zelo santo; foi Ele quem revestiu Elias com seu fervor, João com seu amor, Paulo com sua tremenda energia, Whitfield com seu amor pelas almas e Fenelon, Rutherford e McCheyne com sua piedade seráfica.
Recebemos o batismo de fogo? É a promessa ainda não cumprida do Novo Testamento, que aguarda suas manifestações mais poderosas pouco antes da vinda do grande e terrível Dia do Senhor.
VI. O Selo Do Espírito Santo
Outro símbolo foi acrescentado nas epístolas, seguindo com peculiar propriedade a temática da redenção e a ratificação da aliança pela morte e ressurreição de Jesus Cristo e a descida do Espírito Santo. Trata-se da figura do selo nas epístolas de Paulo. Essa figura é usada em referência à obra do Espírito Santo no coração do crente: "Em quem, depois que crestes, fostes selados com o Santo Espírito da promessa". E assim Ele diz novamente: "Não entristeçais o Espírito Santo, com o qual fostes selados para o Dia da redenção". A aliança foi cumprida, a vontade efetivada; é apropriado que o selo seja acrescentado. E é isso que o Espírito Santo faz, imprimindo no coração a marca inconfundível de Cristo, tocando e tornando as coisas divinas reais e tangíveis como a impressão no selo. Essa figura representa a ideia de certeza e realidade em conexão com a obra do Espírito. Há tal experiência no Espírito Santo. Não basta apenas crermos na verdade, também podemos conhecê-la e experimentá-la. "Nós conhecemos e cremos", diz João, "no amor que Deus tem por nós", e assim o Espírito Santo se torna para nós a testemunha da nossa consciência da realidade das coisas divinas; capacitando-nos a dizer: "Eu conheço aquele em quem tenho crido"; "sabemos que Ele permanece em nós pelo Espírito que nos deu"; "sabemos que temos a vida eterna"; "sabemos que alcançamos as petições que Lhe pedimos".
É muito importante que não invertamos a ordem desta experiência; ela não vem antes da fé, mas depois dela. "Depois que crestes, fostes selados com o Santo Espírito da promessa." Não devemos nos contentar com menos do que esta bendita realidade, e se nos entregarmos a Deus na consagração e na simplicidade da confiança, receberemos o toque de Sua mão bendita, a marca de Sua presença pessoal e a própria imagem de Seu rosto bendito impressa em nossos corações, e seremos capazes de dizer: "Aquele que nos selou e nos ungiu é Deus, que também nos estabeleceu e nos deu o penhor do Espírito em nossos corações."
Isso nos leva ao último símbolo do Espírito, a saber:
VII. O Profético
Isso também é acrescentado nas epístolas juntamente com o selo, e após a descida do Espírito Santo no Pentecostes. Esses dois últimos símbolos parecem especialmente apropriados como acréscimos, tendo em vista seu significado especial com relação à redenção completa de Cristo e à Sua vinda iminente. Todos os outros aspectos da obra do Espírito foram expressos por emblemas anteriores, mas ainda há mais um, a saber, o profético. "Ele vos anunciará as coisas que hão de vir", assim Cristo prometeu a respeito do Consolador. Ele seria a antecipação de todas as esperanças ainda não reveladas e não realizadas do futuro glorioso, e mais um termo era necessário para expressar isso; esse termo é fornecido pela palavra "penhor, herança espiritual".
Nos antigos costumes jurídicos, um penhor consistia em um punhado de terra entregue ao comprador de um imóvel, contendo uma porção do próprio terreno adquirido, como garantia solene da totalidade da propriedade que seria entregue no devido tempo. Não se tratava de um punhado de terra de qualquer propriedade, mas sim do próprio terreno comprado, e garantia a identidade, a certeza e a completude da transferência no prazo devido. Nesse sentido, o Espírito Santo deve mostrar uma amostra e um penhor de nossa futura herança. Tudo o que devemos ser e desfrutar, Ele nos traz agora em antecipação e em medida limitada, como penhor de que tudo será entregue na plenitude dos tempos, em toda a sua completude.
O termo é usado em uma conexão dupla nas epístolas; primeiro, de nossa herança espiritual, que o Espírito Santo prefigura em nossos corações pela experiência de Sua vida santificadora, consoladora e vivificadora; dando-nos a medida em que somos capazes de receber, em meio às limitações de nossa vida mortal, um verdadeiro antegosto das felicidades e glórias do céu.
Mas há um segundo sentido em que Ele também é um penhor, a saber: em nossos corpos mortais, nos quais Ele traz a vida física de Cristo como penhor e antecipação da ressurreição física. Assim, temos as primícias do Espírito como garantia de que ainda teremos a plena redenção do corpo. "Aquele que nos preparou para isto mesmo", isto é, para a futura ressurreição, "é Deus, que também nos deu o penhor do Espírito." Recebemos este sinal abençoado e compreendemos plenamente o seu significado, na expectativa das coisas que "os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, e não penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam", mas das quais se acrescenta: "Deus no-las revelou pelo Seu Espírito, porque o Espírito sonda todas as coisas, até mesmo as profundezas de Deus."
Podemos reivindicar a bênção dos sete Espíritos que estão diante do Trono e dizer com o apóstolo: "Bendito seja Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos do Espírito nas regiões celestiais em Cristo Jesus."
(Livro "Andando no Espírito" – A.B. Simpson)